Cartórios em Números 2025: o documento que desmonta mitos, prova eficiência e mostra quanto o Brasil economiza fora do Judiciário
- Diogenes Régis
- há 4 dias
- 3 min de leitura
Se ainda existe alguém que enxerga os cartórios apenas como “burocracia”, o Cartório em Números – 7ª edição (2025) chegou para encerrar esse debate com dados, números e fatos.

Produzido pela ANOREG-BR, com pesquisa do Instituto Datafolha, o estudo é hoje o mais completo diagnóstico sobre o papel dos cartórios extrajudiciais no Brasil, reunindo indicadores de confiança, eficiência, economia para o Estado, arrecadação tributária, desjudicialização e impacto social.
Neste artigo, você vai entender por que esse documento é estratégico, o que ele prova na prática e como os cartórios se tornaram um dos pilares silenciosos de eficiência do serviço público brasileiro.
Ao final, disponibilizamos o material completo para download.
Um ponto de partida importante: cartório não custa ao Estado
O estudo parte de um dado que costuma ser ignorado no debate público:
Os cartórios brasileiros operam sem qualquer custo para o Estado.
Eles são serviços públicos exercidos por delegação, financiados integralmente pelos emolumentos pagos pelos usuários, sem uso de orçamento público, estrutura estatal ou folha de pagamento governamental.
Esse modelo, por si só, já representa economia administrativa permanente. Mas o documento vai muito além.
A desjudicialização e a economia histórica gerada pelos cartórios
A partir da página 21, o relatório entra em um dos temas mais relevantes do sistema jurídico atual: a desjudicialização.
A lógica é simples e poderosa: procedimentos que antes exigiam anos de tramitação judicial passaram a ser resolvidos em dias ou meses nos cartórios, com menos etapas, menor custo e segurança jurídica.
Economia comprovada (dados oficiais)
Entre as páginas 22 e 30, o estudo apresenta valores consolidados de economia histórica acumulada gerada pela migração desses atos para a via extrajudicial:
Divórcios extrajudiciais: R$ 2,8 bilhões
Inventários extrajudiciais: R$ 6,3 bilhões
Reconhecimento de paternidade: R$ 678 milhões
Casamento homoafetivo: R$ 255 milhões
Separações e partilhas extrajudiciais: R$ 270 milhões
Retificação de nome e gênero: R$ 50 milhões
Reconhecimento de paternidade socioafetiva: R$ 62 milhões
Total: mais de R$ 10,4 bilhões economizados pelo Estado, sem contar outras modalidades não consolidadas em valor final.
Importante: esses números não são anuais. São valores acumulados ao longo dos anos, desde a implementação de cada medida normativa.
Economia indireta: onde o impacto é ainda maior
Nem toda economia aparece com cifra final, mas isso não a torna menos real.
Entre as páginas 33 e 37, o estudo compara diretamente:
Custo médio de um processo judicial
Tempo médio de tramitação
Número de etapas versus
Procedimentos extrajudiciais equivalentes
Exemplos claros:
Usucapião
Regularização fundiária
Retificação de área
Adjudicação compulsória
Alienação fiduciária
O padrão se repete:
Judiciário: 2 a 8 anos, custos elevados, múltiplas instâncias
Cartório: meses, menos etapas, custo reduzido
Essa diferença representa:
Menos gasto com estrutura judicial
Menos servidores envolvidos
Menos congestionamento do sistema
Economia estrutural, mesmo quando não expressa em bilhões no gráfico.
Protesto de títulos e recuperação de créditos públicos
Outro dado estratégico aparece na página 32.
Os Cartórios de Protesto foram responsáveis pela recuperação de mais de R$ 20 bilhões em Dívida Ativa da União, apenas com protesto extrajudicial de CDAs.
O detalhe que muda tudo:
O procedimento é gratuito para o Poder Público
Substitui execuções fiscais que levam até 8 anos
Evita um custo médio de R$ 4,3 mil por processo judicial
Aqui, não é só economia.É eficiência fiscal com impacto direto na arrecadação.

Arrecadação tributária sem custo ao Estado
Entre as páginas 52 e 53, o relatório mostra um dado que raramente entra no debate público:
Cartórios arrecadaram R$ 989 bilhões em tributos entre 2010 e 2025, sem custo algum ao Poder Público.
Isso inclui:
ITBI
ITCMD
IPTU
ISS
ITR
Outros tributos vinculados a atos notariais e registrais
Não se trata apenas de arrecadar, mas de:
Garantir segurança jurídica
Evitar evasão
Reduzir litigiosidade futura
Mais uma vez, economia administrativa silenciosa, porém massiva.

Confiança, eficiência e percepção social
Além da economia, o estudo mostra algo igualmente relevante: confiança.
Em 2025, os cartórios:
São a instituição mais confiável do país, entre 15 avaliadas
Têm nota média 8,2
Superam bancos, Judiciário, prefeituras e governo
Isso explica por que a desjudicialização funciona:o cidadão confia no sistema extrajudicial.

Por que a MPC está falando disso?
Na MPC, lidamos diariamente com cartórios de todo o Brasil.Esse documento não é teoria. É a tradução em números do que vemos na prática:
Cartórios eficientes
Atendimento cada vez mais digital
Serviços ampliados
Impacto real na vida das pessoas e na economia do país
Disponibilizar esse estudo é uma forma de:
Informar
Qualificar o debate
Fortalecer o posicionamento institucional dos cartórios



